quarta-feira, março 23, 2005

Precioso Líquido 2

E continuavam a conversar:
- Eu já peguei ela algumas vezes, nem dá mais graça. Disse Douglas, esnobando...
- Ahh, quem vê assim tu é o pegador mesmo. Cara, tu só fala, nunca te vi com guria nenhuma. Contestou Maurício.
- Isso é por que eu sei ficar nas escondidas, né? Tem que perceber as coisas.
O silêncio tomou conta do ambiente. Os dois bebiam a cerveja em seus copos suados como se nada estivesse para acontecer. E quando uma andorinha caiu na água acidentalmente, eles nem perceberam. Haveriam de receber um aviso, mas a andorinha se auto-destruiu alguns segundos depois. Em algum lugar, desse mundo ou de outro, alguém reclamava:
- Malditas Andorinhas-correio!
Mas o mais horrível estava para acontecer:
- Acabou a cerveja denodo! Observou, Douglas.
- É a sua vez, Doug! Disse Maurício.
- É nada, eu que peguei a última! Seu malandrão! Se fazendo de irritado, disse Douglas.
- Ah, é verdade! Foi mal, eu vou buscá-la!
Maurício virou as costas e Douglas deu uma risadinha esnobe.
Mas o jovem inocente voltara muito cedo e com as mãos tão vazias quanto um pescador na Lua.
- Ei, cara! Lembra quando eu disse: “Beba como se fosse a última!”? Indagou Maurício.
- Claro, por quê? Douglas respondeu e perguntou preocupado.
- Pois é, era a última! Maurício deu a drástica notícia no justo momento em que Douglas estava tomando o último gole de cerveja em seu copo. A garganta travou, queria aproveitar ao máximo o último gostinho. Mas quando acabou:
- Nãããããããããoo! Gritou Douglas no exato instante em que caia para trás em sua cadeira que vinha sendo apoiada em duas “pernas” há um bom tempo.
Dava pra ver uma lágrima pronta para sair do olho de Maurício enquanto ele repetia:
- Não... precioso líquido!

Continua...

quarta-feira, março 09, 2005

Precioso Líquido!

Douglas bebia um copo suado de cerveja, ele adorava fazer aquilo, dava para ver nos olhos dele. Ele olhava a cerveja tal como Frodo olhava o anel, sabia que aquilo poderia lhe prejudicar, mas não largava de jeito nenhum. Então deu o último gole no copo.
- Ei, cara! Pegue outra cerveja, o meu copo está vazio! Com um certo desrespeito disse Douglas.
- Eu de novo? Mauricio percebera, então, que já havia buscado mais de 6 garrafas e Douglas ainda não havia pego nenhuma.
- Mas claro, fui eu quem trouxe a última!
- Ahh tudo bem, mas a próxima você que pega! Disse Maurício sem perceber que essa conversa já vinha se repetindo há algumas rodas atrás.
Levantou-se então e foi até a cozinha. Sem muita demora, trouxe uma garrafa que brilhava feito diamante à luz do sol.
- Precioso líquido! Vinha ele dizendo enquanto a carregava.
Então pos a garrafa na mesa, abriu com o abridor (?), que mais parecia ter vindo de uma casa de boas ações sexuais, e disse com um ar de orgulho:
- Precioso líquido! Beba como se fosse a última, Douglas!
E os copos foram-se enchendo, uma formiga que havia se alojado no copo de Maurício, num segundo de distração, morrera feliz. Poderia ter pensado ela que estivesse afogando-se, mas o teor alcoólico a fez imaginar que era a formiga atômica.
Douglas e Maurício escutaram algum barulho estranho, mas não conseguiram distinguir o que era. Se estivessem menos embriagados talvez ouvissem uma voz que ecoava do copo:
-Lá vai a triônica forglub glub...
- Cara, visse a Pietra, ontem? Perguntou Maurício tentando retomar às discussões anteriores.
- Tava gostosa, né? Respondeu Douglas.
- Mas ela nem me interessa mais. Complementou um tempo depois.
Nesse momento, algum palavrão deveria vir na ponta da língua de Maurício, mas ele não conseguiu pensar em nada. Havia, além do problema de se irritar facilmente, um certo retardamento mental, nada que chamasse muita atenção. Certa vez, também no colégio, a professora o perguntara quanto tempo mais ele iria querer ficar na 7ª série. Fora expulso daquela escola por insultar a professora, alguns colegas, o carpinteiro, duas das faxineiras, a cozinheira, o diretor e espancado o Peludo, cachorro de estimação da turma. Mas a pergunta da professora não era por menos, ele já havia repetido a 7ª série por 2 vezes.

Continua...

quinta-feira, março 03, 2005

Ei, quem são esses caras?

Então eu cheguei pra ele e disse: Cara, você precisa parar de beber. Opa... O que foi?? Tá, tá... Eu já vou escrever...


Era um dia normal de verão, como qualquer outro dia. Vocês sabem, muito calor, gordinhos suando, aquelas tias com maiôs tomando banho de sol, etc... Como se nada estivesse acontecendo, como se o mundo não sofreria nenhuma mudança, mais tarde, o dia seguia tranqüilo. E mais tranqüilos ainda estavam Douglas e Mauricio, sentados na beira da piscina, não era uma piscina grande, não caberiam mais de um elefante nela, mas caberiam algumas meninas de biquíni, caberiam sim, e ali estariam elas se não fossem os dois jovens terem decidido que iriam beber sozinhos, sem nenhuma garota chata para incomodar, naquele dia. Se essa história tivesse começado ontem, talvez tivéssemos um pouco mais de diversão.
Eu já mencionei, o quanto estava quente? Cervejas vão muito bem quando o dia está quente, e era isso o que pensavam os nossos dois personagens. Por falar neles, Douglas tinhas 18 anos, acabara de tirar a carteira de motorista e o mundo parecia para ele bem como aquele jogo que acabara de sair: super divertido, repleto de novidades, totalmente interativo e caro. Era magricelo, um tanto alto, e sua fama era de mentiroso de carteirinha, daqueles que mudam de assunto só para contar vantagem. Já Maurício, era mais vivido, gostava de apreciar a beleza das mulheres e tinha seus 19 anos completados. Que o conhecesse bem, saberia que se irritava por pouca coisa, certa vez, nos tempos de colégio, espancara um colega que havia lhe pedido uma borracha emprestada e nunca mais devolvido por alegar perda total dos bens materiais alheios.

Continua...