Precioso Líquido 2
E continuavam a conversar:
- Eu já peguei ela algumas vezes, nem dá mais graça. Disse Douglas, esnobando...
- Ahh, quem vê assim tu é o pegador mesmo. Cara, tu só fala, nunca te vi com guria nenhuma. Contestou Maurício.
- Isso é por que eu sei ficar nas escondidas, né? Tem que perceber as coisas.
O silêncio tomou conta do ambiente. Os dois bebiam a cerveja em seus copos suados como se nada estivesse para acontecer. E quando uma andorinha caiu na água acidentalmente, eles nem perceberam. Haveriam de receber um aviso, mas a andorinha se auto-destruiu alguns segundos depois. Em algum lugar, desse mundo ou de outro, alguém reclamava:
- Malditas Andorinhas-correio!
Mas o mais horrível estava para acontecer:
- Acabou a cerveja denodo! Observou, Douglas.
- É a sua vez, Doug! Disse Maurício.
- É nada, eu que peguei a última! Seu malandrão! Se fazendo de irritado, disse Douglas.
- Ah, é verdade! Foi mal, eu vou buscá-la!
Maurício virou as costas e Douglas deu uma risadinha esnobe.
Mas o jovem inocente voltara muito cedo e com as mãos tão vazias quanto um pescador na Lua.
- Ei, cara! Lembra quando eu disse: “Beba como se fosse a última!”? Indagou Maurício.
- Claro, por quê? Douglas respondeu e perguntou preocupado.
- Pois é, era a última! Maurício deu a drástica notícia no justo momento em que Douglas estava tomando o último gole de cerveja em seu copo. A garganta travou, queria aproveitar ao máximo o último gostinho. Mas quando acabou:
- Nãããããããããoo! Gritou Douglas no exato instante em que caia para trás em sua cadeira que vinha sendo apoiada em duas “pernas” há um bom tempo.
Dava pra ver uma lágrima pronta para sair do olho de Maurício enquanto ele repetia:
- Não... precioso líquido!
Continua...

